Cabo Frio - Rio de Janeiro - Brasil 16-09-2019

Forte São Matheus

Autor: Elisio Gomes Filho
Rua José Augusto Saraiva, 3 Ilha da Draga - Cabo Frio - Rio de Janeiro Brasil
tel 055 (22) 2647-4661 - site : www.nomar.com.br

O lendário Forte São Matheus, o mais antigo monumento da Região dos Lagos tem sua história pontilhada de segredos.
Soldados, solidão, saudade...
Oh solitárias e silenciosas muralhas guardiãs! Dizei-me dos eventos naturais e humanos que foram presenciados por seus soldados ao longo dos tempos: eram baleias com seus filhotes que se aproximavam da costa? Eram veleiros com suas velas pandas, que iam e voltavam do porto, sob a vontade dos ventos? Sim, calmas e cotidianas paisagens fizeram parte do seu enorme passado...
No ano de 1818, o Forte de São Mateus era guardado por apenas seis soldados sob o comando de um cabo, que vivia quase na única obrigação de dar aviso ao coronel do distrito, da entrada e saída de embarcações do ancoradouro do Itajuru.
O forte batizado em homenagem ao famoso evangelista judeu, nasceu junto com a fundação da Capitania Real do Cabo Frio. Devotos, os portugueses sempre ligavam seus feitos à religião: em 13 de novembro de 1615, Santa Helena do Cabo Frio, foi o nome dado a uma cidade semeada nos areal da restinga - sede da nova capitania.
Pescadores que desbravavam costa e mar virginais foram os primeiros povoadores da cidade fundada por Menelau. Deram-lhe logo a seguir, o nome de Nossa Senhora de Assunção do Cabo Frio - venerada padroeira dos valentes e pitorescos pescadores da Póvoa do Varzim, Portugal, que começaram a freqüentar o mar da região, a partir do fim do século XIX.
O primeiro governador da capitania do Cabo Frio - o capitão-mor Estevão Gomes, a mando do rei Felipe II, começou no ano de 1616 a levantar a fortaleza. E em 1620, estava assim o ralo povoado defendido por São Matheus. Mas ali tremulava orgulhosa a bandeira da União Ibérica ao sabor do vento de nordeste, marcando definitivamente a ocupação militar européia no paraíso terrestre dos aguerridos tamoios.
Canhões de bronze reluziam sob a envolvente volúpia do sol dos trópicos...
Durante toda a primeira metade do século XVII existiu, sempre presente, o temor de um ataque de corsários ingleses, holandeses e franceses, que objetivavam se apossar do território cabo-friense – rico em pau-brasil. Os corsários mantinham o reino de Portugal alvoroçado. O governador de Cabo Frio, foi um destes que viveu esta época difícil. Rico fazendeiro, Estevão Gomes, utilizou-se de sua própria mão de obra escrava vinda da Guiné para construir o Forte de São Mateus na ilhota mais elevada da barra, cercada por antigos caminhos do oceano, cujas ondas beijam negras pedras adormecidas...
Não devemos visualizar esta fortificação do princípio do século XVII, como se fosse a que chegou até nós. São Matheus certamente era bem menor. Mas ele sempre contou com três muralhas de pedra lavrada e com uma única e singela torre, a ser tingida tanto pelas luzes do sol nascente, como do poente.
Na terceira década do século dezenove, as dependências do forte consistiam de alojamentos do comandante, da guarnição, uma sala de arrecadação, do guarda fogo, do paiol e de uma prisão. Tudo indica que a cisterna d’água, que hoje mexe com a imaginação dos seus visitantes, não havia sido construída.
No ano de 1847, o imperador D. Pedro II, em visita a Cabo Frio, conheceu o São Mateus, onde foi recebido por uma salva de artilharia. Ribombaram velhos canhões pelo jovem rei.
Mas chegou o final do século XIX, marcado por epidemias que assolavam a região, e em 1889, o forte acabou sendo utilizado como lazareto, abrigando doentes terminais, cujos corpos eram enterrados no morro dos índios. Perdia sua nobre finalidade de defender. Seus belos canhões de bronze foram levados pelo Exército para nunca mais voltar. Depois disso, o Forte São Matheus, ficou abandonado, permitindo que moradores vizinhos, na carência de material de construção, viessem retirar tudo que podiam levar.
No final dos anos 30 de nosso século, encontrava-se em completa ruína.Da sanha homicida, sobrou canhões de ferro - órfãos do reduto que jaziam em meio à vegetação, pareciam selar o seu triste destino, mas em 1957, São Mateus foi ressuscitado, quando sobre ele ventou, ventanias da restauração. Hoje não há quem diga, que o forte é o nosso principal cartão postal.
O forte com nome de um santo famoso é a nossa história colonial que vive e sobrevive diante das paisagens que vão mudando com o passar dos tempos...

Criado em: 2005-02-10
Última atualização em: 2005-02-10



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